A maior parte do acervo do Museu provem de coleções particulares, acumuladas desde a década de 1930. Elas se destacam pela qualidade dos materiais, mas não estão expostas em um conjunto único, e sim distribuídas pela exposição de acordo com a necessidade da curadoria. A seguir estão descritas as principais coleções privadas que compõem o acervo atual do Museu.

 

Coleção Ettore Onorato

Ettore Onorato (1899-1971) foi um mineralogista italiano, contratado como primeiro docente da cadeira de Mineralogia e Geologia do curso de Ciências Naturais da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL – USP). Onorato trouxe sua própria coleção de minerais para utilizar nas aulas práticas do curso recem criado, e entendia que um Museu era indispensável para o curso. O início das aulas se deu em 1935, e seus esforços originaram o Museu de Mineralogia, tendo como núcleo inicial sua coleção de minerais, seguido pelo acréscimo da coleção Araújo Ferraz.

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Coleção Araújo Ferraz

É a coleção mais antiga do museu, comprada em 1935 da viúva do colecionador, falecido em 1929. José Belmiro de Araújo Ferraz (1883-1926) foi um mineralogista formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro e petrógrafo do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, além de organizador póstumo da coleção de Eugene Hussak, com quem trabalhou. Sua coleção conta com 494 espécimes de minerais e traz os exemplares mais didáticos no que diz respeito à variedade de hábitos e cristais bem formados. Traz também grande quantidade de amostras de localidades-tipo.

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Coleção de Gemas

A coleção de gemas do museu foi formada no ano de 1955, concomitantemente à criação da Associação Brasileira de Gemologia. A Associação foi criada por iniciativa de Rui Ribeiro Franco, catedrático de mineralogia da FFCL. A coleção original foi formada por pouco mais de 300 exemplares de exemplares, todos doados por comerciantes e amadores do setor gemológico e joalheiro. Atualmente o Museu possui em sua coleção de gemas mais de 1000 exemplares.

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Coleção Luiz Paixão

A Coleção Luiz Paixão é ainda hoje a principal coleção do acervo do Museu, uma das mais importantes historicamente e com exemplares mais bonitos e representativos. Foi organizada pelo bancário Luiz Paixão Silva de Araújo Costa (1889 at. – 1949) durante mais de 40 anos. Inicialmente uma típica coleção de história natural, unindo minerais (brutos e lapidados), rochas, fósseis, artefatos arqueológicos e etnográficos, conchas e um meteorito, ela foi oferecida à USP pela família do colecionador logo depois de seu falecimento em 1949.

Após longos trâmites burocráticos envolvendo a USP, a Assembleia Legislativa e o Governo do Estado de São Paulo, em 1954, ano em que se comemorou o IV Centenário da Cidade de São Paulo e os 20 anos de criação da USP, foi liberado um crédito especial à universidade para a aquisição da Coleção Paixão.

A porção mineralógica e petrológica do material foi encaminhada ao departamento de Mineralogia e Petrografia (curso de História Natural), a parte paleontológica ao departamento de Geologia e Paleontologia (curso de História Natural) e as partes arqueológica e etnográfica foram destinadas ao departamento de Antropologia, todos na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL – USP).

A coleção original contemplava inicialmente 13.320 itens, dentre os quais alguns foram presentes a Luiz Paixão, mas a maioria foi coletada por ele mesmo em várias viagens pelo mundo. Essas excursões naturalistas foram cuidadosamente registradas por ele em diários, que são parte do acervo documental do Museu de Geociências e do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE – USP).

 

                                     
Quartzo com inclusão de cristal de pirita. Foto: Bruno Maruyama.

Coleção Evgeny Semenov

Adquirida pelo IGc em 1995 por ocasião da visita do mineralogista russo Evgeny Ivanovich Semenov (1927-2017) ao instituto. A coleção compreende 67 amostras de minerais, sendo 57 minerais raros de localidades-tipo e 10 minerais Terras Raras. São amostras provenientes do leste europeu e Ásia, compreendendo os seguintes países: Rússia, China, Tadjiquistão, Índia, Quirguistão e Cazaquistão. A coleção está exposta em seu conjunto total e serve de referência para as comunidades científicas nacional e internacional que desenvolvem pesquisas relacionadas à mineralogia dos complexos alcalinos carbonatíticos, geologia dos pegmatitos e dos minerais raros à eles associados.

                             

Coleção Schnyder

Foi a última grande coleção particular doada ao museu. Os filhos do casal Carlos Ludovico e Tereza Schnyder doaram a coleção ao museu em 1984, após o falecimento dos pais. Trata-se de uma coleção de minerais, minérios e fósseis de todas as partes do mundo.

Carlos Ludovico Schnyder era suíço, engenheiro industrial, dono da indústria Conservas Alimentícias Hero S.A. Sua coleção compreende material do Brasil e de vários países do mundo, com material de elevado valor estético. A parte mineralógica compreende 1187 minerais, dos quais 579 estiveram expostos no Museu de 1985 a 2021.

                                          Carlos Ludovico Schnyder e esposa. Autoria desconhecida   

 

                  Carlos Ludovico Schnyder e esposa. Autoria desconhecida.  Etiqueta original do colecionador.

Coleção de Espeleotemas

Coleção resultado de convênio realizado entre o IGc e a Sociedade Brasileira de Espeleologia em 1992.  Esse conjunto foi fruto da pesquisa e exploração de cavernas durante os 50 anos anteriores à doação, e contemplam 108 amostras de espeleotemas, entre estalactites, estalagmites, cortinas, pérolas de caverna, helictites, entre outras formações.   

No vão em frente aos laboratórios do primeiro andar do IGc estão expostos modelos de caverna com espeleotemas da coleção. Esse material esteve no espaço expositivo do Museu entre 2001 e 2017.

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Coleção de Meteoritos

O primeiro meteorito a chegar ao Museu foi o Santa Luzia, pertencente à Coleção Paixão. Grande parte das amostras foram doadas ao Museu em 1987, por Celso de Barros Gomes, docente titular aposentado do IGc. Gomes conduziu junto à Universidade do Novo México no final dos anos de 1970 uma pesquisa sobre condritos brasileiros. O material resultante dessa pesquisa forma o núcleo principal da coleção de meteoritos do Museu. Atualmente ela é acrescida por doações de colecionadores particulares e possui quase 60 exemplares, entre condritos, sideritos, acondritos e palasitos. Destaque especial para o Meteorito de Itapuranga, o terceiro maior meteorito encontrado no Brasil e o meteorito Parauapebas, única amostra-tipo dentre os meteoritos do Museu.

 

Meteorito Quijingue. Foto Gabriela Azevedo Campos.

 

Meteorito Itapicuru Miriam. Foto Gabriela de Azevedo Campos.

Coleção de Rochas Ward

Coleção didática de rochas comercializada internacionalmente por uma empresa voltada para a produção de recursos didáticos. 

Seu nome faz referência a Henry Augustus Ward (1834-1906), geólogo estadunidense que percebeu a tendência crescente de formação de coleções geológicas em museus de História Natural ao longo do século XIX e criou o Ward´s Natural Science Stablisment

Por se tratar de uma coleção comercial, acredita-se que ela tenha sido adquirida, mas não foram encontrados registros sobre sua aquisição. A coleção em posse do Museu é composta por 109 amostras de rochas ígneas, todas com o mesmo tamanho (11cm X 7cm).